Siga nossas redes

      
selo_final_Prancheta 4.png


15202609213280.jpg
Advogado e Doutor em Direito Público.

ARTIGO

Política no lar

Entre os temas que podem parecer complicados de tratar entre pais e filhos - como iniciação sexual e uso de drogas -, a política é mais um que precisa estar nessa lista. Por dois importantes motivos: também é um tabu em muitas famílias; e também vai influenciar diretamente o futuro de nossos filhos.

E assim como nos dois primeiros casos, se quisermos atingir nosso "público alvo", precisamos fazer o exercício da imparcialidade na nossa abordagem. Assim como não vai dar certo começar uma conversa taxando jovens de maconheiros ou mostrando preconceitos sobre orientação sexual, também é preciso tato e cautela para tratar de política. A primeira regra é não impor a nossa preferência pessoal de maneira ostensiva. 

Quem tem filhos pequenos já deve ter presenciado, especialmente em época de eleições, coleguinhas que falam mal de determinados políticos, chamando esse ou aquele de ladrão ou corrupto, quando claramente não têm maturidade para tal. Estão apenas reproduzindo o que ouvem em casa. E isso é péssimo, porque tira da criança e do jovem a habilidade de avaliar e formar sua própria opinião. Até certa idade, o que nós, pais, dizemos, é lei para eles. 

A primeira dica é direcionar a conversa para falar de política, não de políticos. Mostrar como funciona, para que serve, pesquisar juntos. Literalmente, trazer a política para dentro de casa, usando a própria família como exemplo. Quem em casa é responsável pela gestão financeira, quem administra o estoque de alimentos, se existe alguém que dá a palavra final, ou se as decisões são compartilhadas. Só com esses ganchos já dá para abordar sistemas políticos, poderes e modelos de governo. Também a escola e outros grupos de convívio dos filhos podem ilustrar questões como direitos e deveres, democracia, importância das leis. É uma forma lúdica que ajuda a fixar o conhecimento e disseminar o conceito de vida em sociedade, com objetivos maiores que os deles próprios. Para crianças menores, uma votação "de verdade", sobre algum tema de interesse da família, é uma ótima forma de mostrar como se escolhem os políticos numa democracia. 

Com o bombardeio de notícias negativas sobre políticos e corrupção em todas as mídias, o tema é realmente complexo e, por isso, exige essa abordagem desapaixonada. Você pode até revelar suas preferências, mas nesse caso, deve argumentar os motivos de votar neste ou naquele - e nunca doutrinar ou impor sua opção, muito menos desqualificar um oponente. Certo e errado sempre serão conceitos relativos, mas bom senso serve para todos os casos. E esse exercício precisa começar cedo, pois engloba atitudes como respeitar o próximo e aceitar a diversidade. Esse aprendizado vai influenciar desde o comportamento do jovem e da criança na escola - em relação a colegas e professores - até sua vida adulta, quando precisará tomar uma série de decisões - incluindo a de em quem votar. 

Quem entende de política, na sua essência, não vota inconsequentemente nem por paixão político-partidária. Quem entende de política, entende de ética. E, justamente por isso, ajuda a não perpetuar no poder aqueles que não estão preparados para ele.


EDITORIAS

Rua Duque de Caxias, 1302, Centro. São Miguel do Oeste – SC. CEP: 89900-000 Telefone: (49) 3621-1244

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina