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SANTA CATARINA

Entidades debatem Reforma da Previdência

11 Junho 2019 10:22:00

A Fiesc (Federação das Industrias do Estado de Santa Catarina) sediou na segunda-feira, dia 10, uma discussão sobre a reforma da Previdência que reuniu líderes empresariais, imprensa, e parlamentares. O encontro foi uma iniciativa do Cofem (Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina).

"O Brasil tem um déficit bastante significativo e um dos motivos é a Previdência. Então, é urgente que se faça essa discussão para resolver essa questão. Nós temos pressa em crescer. O Brasil precisa atacar urgentemente os problemas que inibem o nosso desenvolvimento", disse o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar. 

Segundo ele, os industriais esperam uma reforma robusta, que equacione o problema previdenciário. "Os efeitos são imediatos. Não exatamente pela reforma da Previdência, mas o Brasil ganha credibilidade internacional porque há uma quantidade de investimentos que serão feitos no país que dependem da aprovação da reforma. Por isso, ela traz recursos imediatos", afirmou.  

"Essa questão da reforma da Previdência é para que se dê sustentabilidade ao país daqui para frente. Esperamos que no futuro, com essas reformas, as coisas comecem a acontecer. Acredito que até o final de julho ela seja aprovada", disse o presidente da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina), Bruno Breithaupt.   

Segundo o gerente de políticas fiscal e tributária da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Mário Sérgio Carraro Telles, a Previdência custa 14% do PIB brasileiro. O custo para mantê-la nos moldes atuais gera déficit aos cofres públicos, valor que aumentará significativamente com o envelhecimento da população nos próximos anos.  

"Nós estamos em uma armadilha macroeconomia. A reforma da Previdência é fundamental para destravar essa armadilha", afirmou. "Mesmo sem o BPC [Benefício de Prestação Continuada], a reforma é significativa. Com a inclusão de estados e municípios, a economia é de R$ 1,60 trilhão em 10 anos. Essa questão atravessa a ideologia. É uma questão demográfica, que é inevitável", disse. 

Para o deputado Darci de Matos (PSD), que integra a comissão especial para apreciar o texto, a reforma equilibra as condições do setor público e do setor privado. "Ela traz a alíquota progressiva. Quem ganha mais, paga mais. Quem ganha menos, paga menos. E após a reforma da Previdência, partiremos para outras reformas, com a Tributária", disse. 

Segundo ele, a Câmara deve derrubar as mudanças no BPC para idosos carentes e também as alterações na aposentaria de trabalhadores rurais. Além disso, diz ele, os deputados estão trabalhando para ampliar o impacto nas contas públicas. "Vamos incluir estados e municípios, porque sem eles ela é uma meia reforma. E sem reforma, as prefeituras tem data e hora para quebrarem".  

O deputado Pedro Uczai (PT), que também integra a comissão, frisou ao setor produtivo que para resolver o problema fiscal da União é necessária uma política econômica que traga crescimento e ative a economia. Ele disse que também é preciso tirar privilégios de altos salários e ter coragem de realizar uma reforma profunda nas Forças Armadas.  

Além disso, criticou a proposta de capitalização, em que cada indivíduo contribui para si. "Eu devo apoiar o capitalismo produtivo ou o capitalismo especulativo? A financeirização tira cada vez mais a capacidade do setor produtivo de crescer", afirmou. "A economia de R$ 1 trilhão só possível é no modelo atual", lembrou.  

O Cofem é composto pela Fiesc, Fecomércio, Facisc (Federação das Associações Empresariais), Fampesc (Federação das Micro e Pequenas Empresas), Faesc (Federação da Agricultura), Federação das CDLs (FCDL/SC), e Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga).  

O evento teve apoio da Adjori/SC (Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina), ADI/SC (Associação dos Diários do Interior de Santa Catarina), Acaert (Associação Catarinense das Emissoras de Rádio e Televisão) e ACI (Associação Catarinense de Imprensa). 

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