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OFF ROAD

A diversão começa onde acaba a estrada

Passar por locais quase inexplorados, curtir a natureza, fotografar e sentir aquela sensação de liberdade. Confira a matéria e saiba um pouco mais sobre o mundo Off Road

Os piores caminhos levam aos melhores momentos

Poucos odeiam, alguns apenas gostam, mas muitos são literalmente apaixonados por aventuras envolvendo esportes com motor. Quando ecoam os roncos nos vales, rasgando os desafios, os olhos ficam estalados esperando ver quem ou o que irá cruzar por ali.

A região Extremo Oeste de Santa Catarina é conhecida como um celeiro de aventuras em trilhas, sejam de duas ou quatro rodas. Praticamente todos os municípios tem seu dia destinado as trilhas seja de moto ou do segmento 4 x 4.

São eventos que reúnem centenas de aventureiros e tanto nas motos, como jipes, gaiolas ou quadriciclos, não importa o valor que cada veículo tem, se é novo, usado ou velho, o que realmente importa e faz as pessoas curtirem muito este momento é a sensação de liberdade, de superação, técnica e também de ajudar os companheiros nos obstáculos, o que acaba se tornando em uma grande amizade de pessoas que muitas vezes nem se conheciam.

Ao cruzar por propriedades no interior, vizinhos e amigos, se reúnem, levam um chimarrão ou até mesmo aquela cerveja geladinha e ficam horas e horas se divertindo vendo os aventureiros passar.

Hoje principalmente as trilhas se tornaram uma terapia e quem começa a praticar o esporte, a cada final de semana, a vontade aumenta de se aventurar.

A partir deste mês de março, praticamente em todos os meses até o final de ano, acontecerão diversas aventuras aqui na região. De olho neste esporte que cada vez atrai mais adeptos, o Folha do Oeste procurou traduzir neste caderno especial, um pouco mais do que realmente representa e os motivos que estão fazendo dos esportes off road uma epidemia!!!

Segurança em primeiro lugar

Tanto nas trilhas, como em corridas de veloterra ou motocross, a segurança dos pilotos deve estar em primeiro lugar. A empresária Simone Mileski comenta que os itens mais vendidos para os praticantes deste esporte são capacetes, coletes, botas e joelheiras. "Isso é o básico e o mínimo que cada piloto deve usar, pois em caso de queda ou batida, estes itens são importantíssimos. Nós organizamos a Copa Oestina de Veloterra e não deixamos entrar na pista pilotos que não tiverem alguns destes equipamentos, pois a segurança do piloto é tudo", reforça.

Existem pilotos que são mais cautelosos e além dos itens acima, utilizam cotoveleiras, luvas, roupas apropriadas, óculos e leatt brace (proteção para o pescoço e coluna). "Óculos também é interessante pois o piloto pode bater em algum galho ou alguma pedra atingir o olho e isso é perigoso", alerta.

Hoje um equipamento básico de segurança para pilotos pode ser adquirido a partir de R$ 1.500 até R$ 2 mil. 

Na trilha desde os 14 anos

O jovem piloto Dimas Godoe, de 18 anos, disse que a paixão por motos começou aos 14 anos, quando ainda só pedalava de bicicleta e observava os trilheiros passarem de moto. "Pedi para meu pai e ele comprou uma moto para eu começar a ir junto com eles. A partir daí a paixão foi crescendo cada vez mais", disse.

Morador do interior de Belmonte, ele participa de praticamente todas as trilhas na região e comenta que nos finais de semana onde não tem trilhão, a diversão é pegar as motos e ir junto com os amigos explorar mais trilhas. "É a melhor sensação, pois ao estar em cima de uma moto a adrenalina aumenta e também a sensação de liberdade. Sempre agradeço a Deus por poder fazer as trilhas com sucesso. Quero fazer trilha até quando meu corpo resistir e por isso admiro os trilheiros mais veteranos que estão no esporte. Quando tiver filhos irei incentivar eles a fazer trilhas", afirma.

CRF tomaram conta do mercado

Lançadas no mercado brasileiro em 2007, as Hondas CRF 230F se tornaram pelo menos na região de São Miguel do Oeste e arredores, a moto mais vista em todo que é evento de duas rodas, seja trilhões ou provas de veloterra. Conforme o empresário Deny Gambatto, o acesso para uma motocicleta off road está mais facilitado, com possibilidade de financiamento. "Muitos anos atrás o acesso ao crédito era mais difícil. O pessoal comprava moto de rua e adaptava para as trilhas. Hoje temos o produto top do mercado que é a CRF 230 F, uma moto que vem pronta para a aventura", explica.

Gambatto também reforça o pensamento da grande maioria dos praticantes, afirmando que as trilhas são uma verdadeira terapia. "Sempre digo para aqueles que estão em casa sentado no sofá vendo televisão, que experimentem fazer uma trilha para saber realmente o que estamos falando. Isso está se tornando uma epidemia", brinca.

Por outro lado, Gambatto mostra preocupação com alguns pilotos que são irresponsáveis, principalmente deixando as porteiras abertas no interior, o que acaba causando transtorno aos agricultores e assim reduzindo os locais para as trilhas, pois muitos acabam não permitindo a circulação em suas propriedades. "Algumas vezes isso causa prejuízos. Procuramos fazer a coisa certa. Muitos grupos são organizados, mas existem aqueles pilotos desatentos que acabam prejudicando aqueles que fazem a coisa certa", lamenta.

Temporada terá vários eventos

O ano mal começou e o calendário de quem curte as aventuras off road está quase cheio. Pelo menos até o mês de junho, a cada 30 dias haverá pelos menos um evento na região. No mês de abril haverá trilhas de motos nas cidades de Santa Helena (dia 08 de abril), em Tunápolis (22 de abril).

Para os amantes do 4x4 o evento mais próximo aqui na região é dia 05 de maio, onde o Jeep Clube de Guaraciaba, estará promovendo a 9ª edição da Trilha do Trabalhador. Também em maio, no dia 20, os Trilheiros Kabo Ar-rochado de linha Alto Guamerim, interior de São Miguel do Oeste, realizam o 3º Trilhão Kabo Arrochado, para motos e também quadricíclos.

Para dia 03 de junho, também está marcada a 1ª Trilha do Escorpião, promovida pelo Moto Grupo Adrenalina, com largada e chegada na linha Daltro Filho. Ainda em Guaraciaba, no mês de agosto acontece a tradicional Trilha do Facão, promovida pelo Moto Grupo Pistão Forjado, que é uma das maiores trilhas da região. No mês de setembro, o Joy Trail Club de Paraíso, terá o 4º Paraíso na Trilha.

Além destes eventos são várias outras trilhas ou meias-trilhas, que agitam a região. Em Descanso, está marcado para o dia 3 de novembro, a 5ª Meia Trilha dos Lameiros do Portão Fechado. Em Belmonte, o Moto Grupo Tabajara também realiza sua meia trilha no segundo semestre, normalmente no mês de outubro.

SC tem a maior trilha do mundo

A pequena cidade de Corupá, localizada no Norte de Santa Catarina, é conhecida internacionalmente por ser o palco do maior encontro de trilheiros do mundo. No ano passado o Pro Tork Bananalama reuniu 3,018 inscritos, além de um público de aproximadamente 60 mil pessoas, entre os dias 7 e 9 de julho.

O ronco dos motores embalou o evento. Pessoas dos quatro cantos do Brasil e também de países da América Latina aceleraram com motocicletas, quadriciclos e UTVs em duas trilhas específicas.

Dezenas de trilheiros aqui da região Extremo Oeste de Santa Catarina seguidamente vão acelerar neste evento. O Bananalama também oferece shows nacionais e apresentações radicais de wheeling, drifting e motocross estilo livre. Outro ponto alto do evento são os sorteios de prêmios. Em 2017 foram sorteadas cinco motocicletas MXF250F, cinco CRF230F e um quadriciclo Can-Am Outlander 570, num valor total de R$ 180 mil em premiação.

Sobre o evento de 2017, o presidente do Clube de Trilheiros Bananalama, Fábio Espíndola, destacou que o foco do evento foi a qualidade. "Pela primeira vez oferecemos trilhas distintas para motos e quadris, tivemos grandes shows musicais e atrações radicais" disse.

Um dos pontos que faz o evento ser sucesso é o apoio de patrocinadores e principalmente da população cidade, que segundo Espíndola, sempre abraça a causa. "Os agricultores deixam a trilha passar e as famílias também colocam suas casas a disposição dos visitantes", destaca.

Jipes unem cada vez mais as famílias

"Para fazer uma trilha sem maiores problemas é preciso ter um veículo 4x4 bem revisado, bom de pneus, guincho, cordas e o Santo Antônio, que é a proteção dos ocupantes", disse o vice-presidente do Jeep Clube São Miguel, Ednei Rodrigues.

Aventureiro há 20 anos, Rodrigues lembrou que antigamente os Jipes Willys dominavam as trilhas, mas atualmente os jipes Trolers estão ganhando mais espaço. "O Troler é um jipe que praticamente vem com tudo e tem muitos benefícios. É só colocar pneus e um guincho que ele está pronto para encarar os desafios, mas ainda o Willys é um baita jipe para fazer trilha e muitas vezes se sai melhor que os Trolers por ser muito ágil", confessa.

Rodrigues comenta que em razão das leis ambientais está difícil de encontrar locais para andar, pois na beira de rios, banhados e nascentes está proibido. "Jipeiro gosta de lugar onde tem muito barro e hoje está bem complicado. Hoje realizamos mais passeios do que trilhas, pois as leis ambientais limitaram nosso esporte. Neste ano não faremos trilha em São Miguel por falta de lugares. Estamos procurando outras alternativas para chamas as pessoas, pois fazer uma trilha no estradão não é interessante. Em relação ao passado, estamos andando pouco", afirma.

Rodrigues disse que este hobby tem um custo elevado, mas a recompensa é grande. "Segundo a minha esposa, eu posso estar cheio de dores, mas quando aparece uma trilha a dor desaparece. É uma brincadeira de custo elevado, que faço há 20 anos. Quando estou desfalcado de dinheiro deixo o jipe parado e quando sobra faço os consertos", diz.

O empresário recorda que no passado as trilhas eram quase só para homens, mas atualmente não. "Na grande maioria dos eventos vamos com a família. Ainda digo que o jipe é forte e segue crescendo devagar. Temos nossa sede em linha Cruzinhas e fazem mais de 20 anos que nos reunimos todas as quartas-feiras para jantas. Qualquer pessoa que tem jipe é bem-vinda, basta querer participar. O jipe não é algo para se ganhar dinheiro e sim nossa válvula de escape nos finais de semana", conclui Ednei Rodrigues.

"Esqueço a rotina. É uma terapia"

O empresário José Carlos Bilíbio, mais conhecido como "Dinho", afirmou que começou a andar de quadriciclo depois de vários convites feitos por seu amigo Lei Severo. "Ele sempre dizia que era muito bom e como eu tinha medo de andar de moto nas trilhas, me convenci que o quadriciclo era mais seguro. A gente consegue andar tanto nas trilhas de moto como nas de jipe", afirma.

Acelerando desde 2012, Dinho disse que a sensação de liberdade é difícil de descrever. "Esqueço da rotina do dia a dia", diz.

Para andar de quadriciclo o equipamento de segurança é praticamente o mesmo utilizados nas motos. Segundo Dinho o único perigo é quando por ventura o quadri tombar por cima do piloto, pois são bem mais pesados que as motos. "É preciso mais cuidado nas subidas e descidas íngremes. Ainda não tombei meu quadri porque sou bem cauteloso e ando devagar, pois preciso me cuidar para trabalhar durante a semana", confessa.

Dinho relata que em São Miguel têm várias opções de locais para andar com os quadri e quando o pessoal se reúne, os locais de destino são principalmente nas cachoeiras. "Também vamos em trilhas em municípios próximos. Os quadri tem valor diversos e conforme o bolso de cada um. É uma terapia e as vezes minha esposa vai junto nos passeios", destaca.

Dinho explica que o custo de manutenção não é muito alto, pois dificilmente os quadriciclos quebram e além disso, o consumo de combustível é baixo, pois com R$ 50 de gasolina, uma trilha de 70 km é feita com tranquilidade.

"Reformei meu jipe de ponta a ponta"

A paixão de Daniel Trentin pelo 4 x 4 começou em por volta do ano de 2002, quando seu irmão Fabrício Trentin começou a construir uma gaiola para trilhas. Ele recorda que na época não haviam muitos jipes na cidade e aqueles existentes eram usados mais para passeios em família, não sendo muito adaptados para trilhas. "Fizemos uma gaiola e começamos a andar juntos. Depois ele comprou uma pick-up para a trilha e a gente continuava andando junto", recorda.

Faz três anos que Daniel comprou seu Jeep Willys ano 62. "Andei dois anos com ele como estava e ano passado reformei de ponta a ponta. Grande parte fui eu que fiz, pois, a gente sempre mexeu nos veículos e aprendemos um pouco. O custo é alto mandar para oficina toda vez", reconhece.

Este foi o esporte em que Daniel mais se identificou e afirmou que isso vai persistir para sempre. "Já tive proposta para vender meu Jeep, mas não tem preço que pague, pois me dediquei muito e reconstruí ele do meu jeito", diz todo orgulhoso.

Uma das dificuldades da atualidade principalmente dos veículos 4 x 4 são locais para poder se divertir nos finais de semana. "Em São Miguel tinha o Mato do Alberico, mas ele foi fechado e agora são poucos locais para a gente andar. Hoje o que resta é participar de encontros feitos por grupos. Algumas pessoas tem sítios e deixam fazer a trilha, mas não é como uma antigamente, quando andávamos quase todo final de semana", recorda.

Para participar de uma trilha 4 x 4 os custos são bem maiores do que em relação as motos. O custo de transporte com um caminhão cegonha é de R$ 100 por veículo, além de pelos menos R$ 100 de combustível, manutenção preventiva, lavação e inscrição. "Gira em torno de R$ 400 a R$ 500 participar, isso sem nenhuma despesa com peça quebrada. Não tem como ir em todas as trilhas, mas o sentimento de ir numa trilha não tem valor que pague. Quem tem interesse pelo esporte é só se aproximar de algum grupo e conhecer melhor para tirar suas dúvidas", explica Daniel Trentin.



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