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ESPECIAL

Todo dia é dia de um bom chimarrão

Folha do Oeste

Tomar chimarrão é uma forte tradição em toda a região. É também uma tradição na vida de Mirani Losch Straus, que no auge dos seus 81 anos, afirma 'não viver sem o chimarrão'. O mate amargo já faz parte da sua rotina diária. Desde os 15 anos de idade, toma chimarrão todos os dias. "Eu gosto muito e nunca me fez mal, só se eu não tomar, daí me dói a cabeça e sinto algo estranho", comenta a moradora de São Miguel do Oeste.

Dona de muita simpatia e carisma, Mirani prepara sua cuia com carinho, e ao menos duas vezes por dia, toma um bom chimarrão. "Todos os dias, por volta das 10h e a tarde, tem chimarrão na minha casa", garante. O hábito gaúcho começou incentivado pelo seu pai, e a tradição já tem passado de geração em geração. "Meus filhos e netos tomam", conta ela ao afirmar que uma das suas alegrias é reunir a família para tomar um chimarrão.

Experiente, ela ainda dá sua dica preciosa para um bom mate: "Tem que começar com a água morna, e depois ela não pode ser muito quente. Também coloco um cházinho para ficar mais gostoso", revela. A moradora de SMOeste ainda acrescenta que nos dias frios, tomar chimarrão é ainda mais agradável.



O incentivo que veio dos avós


Chimarrão integra a história de muitas famílias. E muitas vezes serve para unir em uma roda, passando a cuida de mão em mão, amigos e familiares. Assim como Mirani, a jovem migueloestina, Eduarda Herbert, também tem a sua história ligada ao costume de matear.

Com apenas 15 anos, Eduarda toma chimarrão desde muito cedo. O hábito teve início quando ela ainda tinha seis anos de idade. Em sua família, o ato de tomar a bebida feita com água quente é passado de geração para geração.

De acordo com a jovem estudante, o incentivo de tomar o chimarrão veio dos seus avós. Feito pelos seus pais, Eduarda costuma tomar o chimarrão no início da manhã e também no entardecer. "Eu tomo todos os dias", comenta.

Sem preferência por acompanhamentos que se completam com a bebida, ela conta que toma o chimarrão na companhia de amigos, mas principalmente junto de seus pais.

Para Eduarda, que tem o chimarrão incluído em sua rotina diária, o mate é mais do que somente uma bebida, ele serve também para unir as pessoas. "Na minha opinião, eu acho que o chimarrão une as pessoas, mas hoje esse costume está se perdendo, as pessoas não sentam mais para tomar chimarrão e compartilhar as coisas boas da vida", analisa.



TRADIÇÃO


O chimarrão ou mate é uma bebida característica da cultura do Sul da América do Sul, legada pelas culturas indígenas. É composto por uma cuia, uma bomba, erva-mate moída e água.

Os primeiros povos de que se tem conhecimento de terem feito uso da erva-mate são os índios guaranis, que habitavam a região definida pelas bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai na época da chegada dos colonizadores espanhóis; e os índios caingangues, que habitavam o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Misiones.

O chimarrão chegou a ser proibido no Sul do Brasil durante o século XVI. Mas, a partir do século XVII, no entanto, os jesuítas mudaram sua atitude para com a bebida, e passaram a incentivar seu uso com o objetivo de afastar a população local do consumo de bebidas alcoólica.

De acordo com o tradicionalista de São Miguel do Oeste e professor de dança, Zeca Brisola, beber chimarrão é um hábito que mantém a cultura gaúcha no Sul do país, e está presente em todas as casas que preservam as tradições.

Tido como símbolo da hospitalidade sulista, ainda hoje o consumo generalizado do chimarrão é um hábito fortemente arraigado no Brasil (principalmente no estado do Rio Grande do Sul e também no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia), Paraguai, Uruguai, Argentina e em parte da Bolívia e do Chile. "Assim, o chimarrão é um hábito histórico, herdado de geração para geração.

Herança cultural dos índios guaranis, o chimarrão está presente na maneira acolhedora de receber os visitantes e na forma autêntica de celebrar a vida. Estima-se que milhões de pessoas se unam na paixão por essa bebida simples feita de água quente e erva-mate.

Segundo o tradicionalista, é na roda de mate que esta tradição assume seu apogeu, agrupando pessoas sem distinção de raça, credo, cor, ou posse material. "Irmanados dentro deste clima de respeito, o mate vai integrando os homens numa trança de usos e costumes que floresce na intimidade gaúcha. O mate tem a propriedade sagrada de unir os casais e harmonizando os filhos desperta a intimidade que solidifica o núcleo familiar. Uma vez que alguém seja convidado a participar de uma roda íntima de mate, deixa de ser um estranho, para tornar-se amigo!", garante.



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